Mitos e a história da vacina – por Hayslla Couto

Sabe de onde e como surgiram as vacinas? Conhece os riscos da não vacinação? Sabe os índices de cobertura vacinal do município assim como do estado? Todas essas informações estarão neste arquivo.

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História da Vacina

Os termos “vacina” “vacinação” são originados de Variolae vacinae, que significa Varíola da vaca, inventados por E. Jenner  (1749-1823) médico inglês responsável por desenvolver o princípio de imunização da varíola, uma doença viral que se propagou na população europeia no século VII, dizimando quase metade dos nativos americanos e espanhóis no ano de 1567. No Brasil, a varíola fez um grande estrago no ano de 1563 deixando viva apenas a quarta parte da população brasileira.

Voltaire descreveu em 1773 que de 100 pessoas 60 contraíam a infecção viral, destes 60, 20 acabavam em óbitos e os demais 40 carregavam as cicatrizes da doença por toda a vida, tornando-se imunes.

Hoje esta doença foi erradicada graças ao método de vacinação. Os primeiros relatos surgiram entre os chineses, uma vez que aderiram à prática de inalar um pó preparado a partir das crostas das feridas da varíola, pois, acreditavam na proteção contra a doença no futuro. Os indianos inoculavam o mesmo pó nas feridas cutâneas. E. Jenner, em 1796 observou que nas tetas das vacas haviam feridas parecidas com as da varíola em pessoas e percebeu também que as mulheres responsáveis pela ordenha apresentavam sintomas da varíola de forma mais branda quando entravam em contato com o vírus que infectava humanos. Então, recolheu líquidos das feridas e aplicou sobre arranhões feitos por ele mesmo no braço de uma criança. Esta desencadeou alguns sintomas de forma branda e teve uma recuperação rápida. Passadas algumas semanas repetiu o processo com o líquido de outras feridas e a criança passou incólume a doença. E assim foi confirmada a eficácia da imunização.

Doenças erradicadas

Entende-se por erradicação o ato de eliminar totalmente a doença, inclusive as causas. Veja algumas doenças erradicadas:

  • Varíola, erradicada por volta de 1970
  • Poliomielite, eliminada no ano de 1994
  • Sarampo, no Brasil foi erradicado no ano de 2000 mas em 2018 o quadro mudou de erradicação para surto da doença.

Movimento anti-vacina como problema de saúde pública

A Organização Mundial da Saúde publicou um relatório com os dez maiores desafios de saúde para 2019, onde inclui o movimento anti-vacina. Esse movimento inclui pessoas de faixa etária, classe social e culturas totalmente diferentes que não se imunizam e não imunizam os filhos, causando um grande problema de saúde pública colocando em risco à própria vida e dos demais. Os motivos são vários desde pessoas que acreditam que a vacina é um método de controle populacional pelo governo até pessoas que acreditam que pode não ser benéfico. As consequências pela não vacinação ameaça décadas de progresso na erradicação de doenças evitáveis trazendo riscos à saúde pública.

O movimento anti-vacina voltou a aparecer na década de 70 com os religiosos que não acreditavam nos efeitos da vacina. E com o passar do tempo o grupo foi aumentando para aqueles que descartavam qualquer tratamento farmacológico aceitando apenas os produtos naturais. Ainda há aqueles que lutam pela “liberdade individual” argumentando que a vontade pessoal de cada pessoa ou dos pais deve ser aceita.

Erradicação no Brasil e ameaça de retorno

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No Brasil, por exemplo, 17 anos de erradicação do Sarampo salvou cerca de 21 milhões de pessoas, reduzindo o número de óbitos em 80% dos casos. E agora, simplesmente cresceu em 30% o número de casos a nível mundial, devido a hesitação vacinal. A Poliomielite, conhecida também como Paralisia Infantil, tem sofrido uma queda na cobertura vacinal deixando 312 cidades brasileiras à mercê dos riscos. A Difteria é uma doença respiratória infectocontagiosa que também pode ser prevenida por meio de vacinação e está inclusa na lista de doenças com possíveis retornos devido a diminuição vacinal. Seguida desta, a Rubéola também está em risco de retorno no país.

Um membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, a Dra. Gláucia Ferreira, falou sobre a importância da vacinação: “Se as pessoas deixarem de se vacinar ficarão expostas às doenças as quais elas preveniram. A tríplice viral foi implantada no país gradativamente na década de 90 entre crianças de 0 a 11 anos. Por isso, pessoas com até 30 anos não chegaram nem a conhecer tais doenças. Em 2018, a meta de imunização era de 95% mas, na maior parte do Brasil, não chegou a 76%”. Relatou.

Fake News

Os usuários de redes sociais ainda não aprenderam a diferenciar notícia real de notícia fake e isso acaba fazendo com que a situação vacinal no país piore ainda mais. Uma vez que as pessoas acabam acreditando e compartilhando com o próximo tudo aquilo que veem na telinha do computador ou celular.

Para alguns, a vacina pode causar autismo e outras doenças. Para outros as crenças religiosas não aprovam o ato de vacinar. Também tem os que acreditam que a composição das vacinas não é benéfica por não ser natural.

A VACINAÇÃO AINDA É A MELHOR E ÚNICA FORMA DE PREVINIR DOENÇAS INFECCIOSAS, leia os 10 mitos sobre a vacinação:

  1. Vacinas causam efeitos colaterais perigosos.

MITO. Algumas podem ocasionar pequenas reações temporárias, como um braço dolorido ou uma febre passageira. As probabilidades de a pessoa adoecer gravemente por alguma enfermidade evitável é maior do que adoecer por ela.

  1. Pessoas saudáveis não precisam se vacinar.

MITO. A imunização serve justamente para reforçar que a pessoa se mantenha segura e saudável frente a doença, ficando livre da infecção.

  1. Confiava mais nas vacinas antigas que nas atuais.

MITO. Quais são os motivos pra isso? As pesquisas só têm avançado nos últimos anos melhorando ainda mais a formulação das vacinas.

  1. Vacinas causam autismo.

MITO. O estudo de 1998 apresentou relação entre a vacina da Tríplice Viral, (que combate Sarampo, Caxumba e Rubéola) e o autismo foi considerado falho e o artigo foi retirado de publicação. Mas infelizmente ainda gera pânico entre as pessoas, isso fez com que à cobertura de vacinação caísse e consequentemente surgisse surtos das doenças que já haviam sido erradicadas.

  1. Vacina contém mercúrio o que a torna perigosa.

MITO. O tiomersal é uma substância orgânica, que contém mercúrio em sua composição. Essa substância é utilizada como conservante nas vacinas fornecidas em frascos multidoses. Não há quantidade de mercúrio que apresente riscos à saúde nas vacinas.

  1. É melhor ser imunizado pela doença do que pela vacina.

MITO. As vacinas são compostas por agentes que se assemelham ao microrganismo causador da doença, que na maioria das vezes são partículas enfraquecidas ou mortas, das toxinas ou proteínas do patógeno. Ao entrar em contato com o Sistema Imunológico desencadeiam uma resposta semelhante àquela produzida pela infecção da doença de forma mais branda sem causar a doença e deixar o indivíduo em risco de complicações severas.

  1. A gripe Influenza é apenas um incômodo a vacina não é tão eficaz.

MITO. A influenza é uma doença infecciosa viral grave que mata de 300 a 500 mil pessoas todos os anos, dentre os públicos atingidos se destacam as gestantes, criança pequenas, portadores de doenças crônicas e idosos com pouco acesso à saúde. Grande parte das vacinas contra a Influenza imuniza as três cepas mais prevalentes que circulam em qualquer estação. Ainda é a melhor forma de evitar as chances de ser infectado com Influenza grave e infectar outras pessoas.

Evitar doenças significa economizar com exames, médicos e tratamentos e consequentemente a perda de renda por faltas no trabalho e/ou escola.

  1. Não há razão para vacinar se as doenças estão erradicadas no país.

MITO. Embora a doença esteja erradicada do seu país, o agente infeccioso dela ainda circula pelo mundo a fora, podendo atravessar fronteiras e infectar qualquer pessoa que não esteja protegido. Como no caso do Sarampo, por exemplo, erradicado desde o ano de 2000 no Brasil. Devido a queda na cobertura vacinal desde então, a doença voltou.

  1. Não é necessário vacinar se houver higiene e saneamento.

MITO. Ótima higiene pessoal, ingestão de água potável e saneamento básico ajudam a proteger de doenças infecciosas. Mas as doenças que a vacina previne podem se espalhar ainda que haja excelente higiene. Somente a vacinação protege contra a doença.

  1. Vacinas são grandes negócios da indústria farmacêutica.

MITO. Atualmente, as vacinas são responsáveis por uma parte muito pequena no faturamento de indústrias farmacêuticas. O economista da OMS estima que o mercado global de vacinas valia U$ 24 bilhões em 2013, esse valor resulta em menos de 3% do valor total do mercado farmacêutico no mesmo ano.

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Campanha de vacinação contra Sarampo em RO e Vilhena

A campanha realizada em 30 de novembro de 2019, no dia D atingiu aproximadamente 124,67% de cobertura vacinal contra o Sarampo nos públicos das crianças de até 1 ano de idade.

Segundo o Ministério da Saúde, com este resultado o município ultrapassou a meta de cobertura da vacina Tríplice viral que atua contra o Sarampo, rubéola e caxumba.

Com isso Vilhena deverá ser pleiteada com incentivo financeiro, Conforme a Portaria GM nº 2.722, de 15 de outubro de 2019, que estabelece incentivo financeiro para implementação e fortalecimento das ações de ampliação da cobertura vacinal da Tríplice Viral e de prevenção, controle do surto e interrupção da cadeia de transmissão do sarampo e outros agravos.

No público adulto ainda não obtivemos dados, pois estes entram na rotina vacinal e os dados até o momento não haviam sido encerrados.

Em Rondônia o público alvo das crianças de até um ano atingiu 114,4% da cobertura vacinal. Nos últimos cinco anos esse foi o melhor resultado até o momento, mesmo que nove estados não tenham conseguido alcançar a meta.

Entre os estados que não atingiram a meta mínima de 95% de cobertura vacinal, determinada pelo Ministério da Saúde estão:

  • Pará (85,4%)
  • Roraima (87,9%)
  • Bahia (88,9%)
  • Maranhão (90%)
  • Acre (91,4%)
  • Piauí (91,9%)
  • Distrito Federal (93,7%)
  • São Paulo (93,9%)
  • Amapá (94,9%)

 

Trouxe todas as informações que consegui até o momento, espero que tenham gostado.

Obrigada pela leitura, até aqui. Até a próxima! rs

Hayslla Couto

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